segunda-feira, 5 de abril de 2010

Dicas de português - Modo e Tempo Verbal

Modo e tempo verbal (Wikipédia - a enciclopédia livre)

Modo verbal é uma classificação dada a um verbo, que apresenta diferenças e diversas formas de um mesmo verbo. Verbos possuem um modo, tempo, pessoa e número.

Definição para os conceitos

Modo
Modo é a forma como o verbo é apresentado.
- Indicativo - Indica certeza (ele conjuga).
- Subjuntivo - Indica possibilidade ou incerteza (ele quer que eu conjugue).
- Imperativo - Indica ordem e pedido (conjuga tu!).

Tempo

O tempo é usado para indicar quando ocorreu a ação a qual o verbo se refere.

- Presente - Indica o fato no momento em que se fala (ele conjuga).
- Pretérito imperfeito - Indica um passado inacabado (eu conjugava).
- Pretérito perfeito - Indica um passado que é usado de todas as formas (eu conjuguei)
- Pretérito mais-que-perfeito - Indica um fato passado em relação a outro (ele conjugara)
- Futuro do presente - Indica um fato que irá acontecer no futuro (eu conjugarei)
- Futuro do pretérito - Indica um futuro que ocorre no passado (ele conjugaria)-uma coisa que poderia ter acontecido.

Pessoa

Pessoa é a quem se refere o verbo. Eu e nós pertecem à primeira, tu e vós à segunda e ele/ela, eles/elas à terceira.

- Eu - (eu consigo)
- Tu - (tu consegues)
- Ele/Ela - (ele consegue)
- Nós - (nós conseguimos)
- Vós - (vós conseguis)
- Eles/Elas - (eles conseguem)

Número

Indica a quantidade de pessoas. Se são uma ou mais de uma.

- Singular- Indica uma pessoa (eu estou).
- Plural- Indica mais de uma pessoa (eles estão)

Modos verbais

As flexões de Modo determinam as diversas atitudes da pessoa que fala com relação ao fato enunciado. Assim:

- uma atitude que expressa certeza com relação ao fato que aconteceu, que acontece ou que acontecerá, é característica do Modo Indicativo. Exemplos:

- Ele trabalhou ontem.
- Ela está em casa.
- Nós iremos amanhã.
- uma atitude que revela uma incerteza, uma dúvida ou uma hipótese é característica do Modo Subjuntivo (ou Conjuntivo). Exemplos:
- Se eu trabalhasse,…
- Quando eu partir,…
- uma atitude que expressa uma ordem, um pedido, um conselho, uma vontade ou um desejo é característica do Modo Imperativo. Exemplo:
- Faça isto, agora!

Com relação ao Tempo, podemos expressar um fato basicamente de três maneiras diferentes:

- No presente: significa que o fato está acontecendo relativamente ao momento em que se fala;
- No pretérito: significa que o fato já aconteceu relativamente ao momento em que se fala;
- No futuro: significa que o fato ainda irá acontecer relativamente ao momento em que se fala.

Entretanto, as possibilidades de se localizar um processo no tempo podem ser ampliadas de acordo com as necessidades da pessoa que fala ou que relata um evento.
Neste contexto, a Língua Portuguesa oferece-nos as seguintes possibilidades para combinarmos Modos e Tempos:

Modo Indicativo

Expressa certeza absolutamente apresentando o fato de uma maneira real, certa, positiva.

Presente do Indicativo

Expressa o fato no momento em que se fala.

- O aluno um poema.
- Posso afirmar que meus valores mudaram.
- Um aluno dorme.

Pretérito Imperfeito

Expressa o passado inacabado, um processo anterior ao momento em que se fala, mas que durou um tempo no passado, ou ainda, um fato habitual,diário. Por isto, chama-se este tempo verbal de pretérito imperfeito, pois não se refere a um conceito situado perfeitamente num contexto de passado.
Emprega-se o pretérito imperfeito do Indicativo para assinalar:

- um fato passado contínuo, permanente ou habitual, ou casual.
- Eles vendiam sempre fiado.
- "Uma noite, eu me lembro… ela dormia"Numa rede encostada molemente (Castro Alves, Adormecida).
- Ela vendia flores
- o Pedro é belmiro.
- "Glória usava no peito um broche com um medalhão de duas faces." (Raquel de Queirós, As Três Marias).
- um fato passado, mas de incerta localização no tempo:
- Era uma vez,…
- um fato simultâneo em relação a outro no passado, indicando a simultaneidade de ambos os fatos:
- Eu lia quando ela chegou.
- "Nessa mesma noite, leu-lhe o artigo em que advertia o partido da conveniência de não ceder às perfídias do poder." (poema de Quincas Borba).
Pretérito Perfeito

Indica um fato já ocorrido, concluído. Daí o nome: Pretérito Perfeito; referindo-se a um fato que se situa perfeitamente no passado.

Emprega-se o Pretérito Perfeito do Indicativo para assinalar:

- um fato já ocorrido ou concluído:
- "Trocaram beijos ao luar tranquilo." (Augusto Gil, Luar de Janeiro)
- "Andei longe terras,
- Lidei cruas guerras,
- Vaguei pelas serras,Dos vis Aimorés." (Gonçalves Dias, I-Juca-Pirama).
- Posso afirmar que meus valores mudaram.
- "Apanhou o rifle, saiu ao meio da trilha e detonou."(Coelho Neto, Banzo).
- Na forma composta, é usado para indicar uma ação que se prolonga até ao momento presente; através da locução verbal, na qual se usa o particípio.
- Tenho estudado todas as noites.
- "Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
- Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo." (Fernando Pessoa, Poema em Linha Reta - caio)

Pretérito Mais-Que-Perfeito

Emprega-se o pretérito mais-que-perfeito para assinalar um fato passado em relação a outro também no passado (o passado do passado, algo que aconteceu antes de outro fato também passado).

O pretérito mais-que-perfeito aparece nas formas simples e composta, sendo que a primeira costuma aparecer em discursos mais formais e a segunda, na fala coloquial.

- Exemplos de usos do pretérito mais-que-perfeito simples:
- Ele comprou o apartamento com o dinheiro do carro que vendera.
- "Levava comigo um retrato de Maria Cora; alcançara-o dela mesma… com uma pequena dedicatória cerimoniosa." (Machado de Assis, Relíquias de Casa)
- Morava.. no arraial de São Gonçalo da Ponte, cuja ponte o rio levara, deixando dela somente os pilares de alvenaria." (Gustavo Barroso, O Sertão e o Mundo)
- Te dou meu coração, quisera dar o mundo
- Exemplos de usos do pretérito mais que perfeito composto:
- Quando eu cheguei, ela já tinha saído.
- Tinha chovido muito naquela noite.

Futuro do presente composto

Este tempo só existe na forma composta. Assinala um fato posterior ao tempo atual, mas anterior a outro fato futuro.
Exemplo: "Até meus bisnetos nascerem, eu terei me aposentado".
"Lucas será padre - diz sua mãe"

Futuro do Presente

Emprega-se o futuro do presente para assinalar uma ação que ocorrerá no futuro relativamente ao momento em que se fala.
- Se eleito, lutarei pelos menores carentes.
- "… era Vadinho, herói indiscutível, jamais outro virá tão íntimo das estrelas, dos dados e das prostitutas,… " (Jorge Amado, Dona Flor e Seus Dois Maridos)
- "A qual escolherei, se, neste estado,Eu não sei distinguir esta daquela?" (Alvarenga Peixoto, Jôninha e Nice).

Exemplos de futuro composto:

- Ele vai fazer (fará) compras e vai voltar (voltará) em breve.

Futuro do Pretérito / Condicional

Emprega-se o futuro do pretérito para assinalar:
- Um fato futuro em relação a outro no passado
- "Se eu morresse amanhã, viria ao menosFechar meus olhos minha triste irmã;Minha mãe de saudades morreria. (Álvares Azevedo, Se Eu Morresse Amanhã).
- "Ia levar homens para o quarto. Como era boa de cama, pagar-lhe-iam muito bem." (Clarice Lispector, A Via-Crúcis do Corpo)
- Uma ironia ou um pedido de cortesia:
- Daria para fazer silêncio!
- Poderia fazer o favor de sair!?

Modo Subjuntivo (ou Conjuntivo)

Revela um fato duvidoso, incerto.

Presente

Emprega-se o presente do subjuntivo para assinalar:

- um fato presente, mas duvidoso ou incerto.
- Talvez eles façam tudo aquilo que nós pedimos.
- Talvez ele saiba sobre o que está falando.
- um fato futuro, mas duvidoso ou incerto
- Talvez eles venham amanhã.
- um desejo ou uma vontade
- Espero que eles façam o serviço corretamente.
- Se choro… bebe o meu pranto a areia ardente;talvez… p'ra que meu pranto, ó Deus clemente!Não descubras no chão… (Castro Alves, Vozes d'África)
- Espero que tragam-me o dinheiro

Pretérito Imperfeito

Emprega-se o pretérito imperfeito do subjuntivo para assinalar:

- uma hipótese ou uma condição numa ação passada, mas posterior e dependente de outra ação passada.
- "Talvez a lágrima subisse do coração à pupila…" (Coelho Neto, Sertão)
- "Como fizesse bom tempo, as senhoras combinaram em tomar o café na chácara." (Aluísio Azevedo, Casa de Pensão)
- "Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
- "Estou hoje vencido, como se estivesse para morrer." (Fernando Pessoa, Tabacaria - Álvaro de Campos)
- uma condição contrafactual, ou seja, que não se verifica na realidade, que teria uma certa consequência; pode se referir ao passado, ao presente ou ao futuro.
- Se ele estivesse aqui ontem, poderia ter ajudado.
- Se ele estivesse aqui agora, poderia ajudar.
- Se ele viesse amanhã, poderia ajudar.

Futuro

Emprega-se o futuro do subjuntivo para assinalar uma possibilidade a ser concluída em relação a um fato no futuro, uma ação vindoura, mas condicional a outra ação também futura.

- Quando eu voltar, saberei o que fazer.
- Quando os sinos badalarem nove horas, voltarei para casa.

Também pode indicar uma condição incerta, presente ou futura.

- Se ele estiver lá amanhã, certamente ela também estará.

Futuro Composto

Emprega-se para exprimir uma possibilidade incerta, num tempo passado, ou num tempo passado em relação a um tempo futuro.

- Se ela tiver chegado a tempo ontem, terá sido ótimo
- Ao final das provas, se ele tiver sido aprovado, pararão de falar mal dele.

Pretérito Perfeito

Emprega o passado com relação a um futuro certo.
- Caso eu tenha sido escolhido, ficarei muito feliz.

Pretérito Mais-que-Perfeito Composto

Formado pelo imperfeito do subjuntivo do verbo auxiliar (ter, haver) mais o particípio do verbo principal Tem valor semelhante ao Imperfeito do subjuntivo Ex: Eu teria caminhado todos os dias desse ano, se não tivesse trabalhado tanto.

Eu teria viajado se não tivesse chovido

Obs: Perceba que todas as frases remetem a ação para o passado. A frase Se eu estudasse, aprenderia é diferente de Se eu tivesse estudado, teria aprendido.

Imperativo

Exprime uma atitude de solicitação, mando. É formado por afirmativo e negativo.

Este modo verbal não possui a primeira pessoa do singular (eu), pois não podemos mandar em nós mesmos.
Uma atitude que expressa uma ordem, um pedido, um conselho, uma vontade ou um desejo é característica do Modo Imperativo. Exemplo: Faça isto, agora! Com relação ao Tempo, podemos expressar um fato basicamente de três maneiras diferentes:

- No presente: significa que o fato está acontecendo relativamente ao momento em que se fala;
- No pretérito: significa que o fato já aconteceu relativamente ao momento em que se fala;
- No futuro: significa que o facto ainda irá acontecer relativamente ao momento em que se fala.

Entretanto, as possibilidades de se localizar um processo no tempo podem ser ampliadas de acordo com as necessidades da pessoa que fala ou que relata um evento. Neste contexto, a língua portuguesa oferece-nos as seguintes possibilidades para combinarmos modos e tempo
Exemplo

- Parcele sua compra!
- Faça sua tarefa!
- Lave a louça!
- Escove os dentes!
- Compre aqui e ganhe um brinde!

Gerúndio

Uma ação que está acontecendo. No português, é terminado por "ando", "endo" e "indo" (no caso do verbo pôr e seus derivados, terminado em "ondo").

Exemplos: "Eu estou falando contigo…"; "Nós estamos correndo em círculos!"; "Eles estão indo para a escola."; "Estou pondo novas informações neste artigo".

domingo, 4 de abril de 2010

Dicas de Português - Aspectos Semânticos - 4


DENGUE
- Caso facultativo: o dengue ou a dengue. A forma feminina é a mais usual: "a dengue", "dengue hemorragica".

DESAPERCEBIDO
- É "quem não se apercebeu, desprovido, desinformado". Evite usar. Para "aquilo que não foi percebido", use despercebido.

DESPERCEBIDO
- É "o que não se percebeu, o não percebido": "Os detalhes passaram despercebidos."

DESCRIMINALIZAR
- É um neologismo. É o mesmo que descriminar (= deixar de ser crime).

DISCRIMINAR
- Significa "separar, segregar, listar": Ele foi discriminado por ser negro"; "O cliente pediu que os itens fossem totalmente discriminado na nota fiscal".

DESCRIÇÃO
- É o "ato de descrever": "Foi preciso fazer uma descrição detalhada do crime."

DISCRIÇÃO
- É a "qualidade de quem é discreto": "Ela agiu com muita discrição."

DESMITIFICAR -
É "deixar de ser mito", "é eliminar o caráter de mito": "A crônica esportiva brasileira tentou desmitificar a craque Maradoda.

DESMISTIFICAR -
É "acabar com a mística, com a farsa", é "desmascarar, desmoralizar": "O oponente conseguiu desmistificar sua sapiência."

DISPONIBILIZAR -
Neologismo já dicionarizado. Para quem não gosta, ainda se pode dizer que "os documentos estão disponíveis", em vez de "os documentos foram disponibilizados".

DIVISA
- Usamos para estados: "Na divisa de Pernambuco com a Paraíba."

FRONTEIRA
- Usamos para países: "Na fronteira do Brasil com o Paraguai."

LIMITE -
Use para municípios: "Aqui onde o Rio de Janeiro faz limite com Duque de Caxias."

DOMICÍLIO -
O correto é "entrega em domicílio". É o mesmo que fazer entrega "em casa, no escritório, no quarto do hotel". Só usamos a domicílio com verbos de movimento: " Conduziram o doente a domicício" (melhor) "... ao seu domicílio").

ECOLOGISTA
- Só usar em referência a um estudioso do assunto. Se for apenas um defensor da natureza, use ambientalista.

ELENCAR
-
Modismo. É um neologismo a ser evitado. É melhor "enumerar, listar".

EMINENTE
- É "importante": "É uma pessoa eminente dentro do governo."

IMINENTE -
É o "que está para acontecer em breve": "Trata-se de uma crise iminente"; "Ele está na iminência de ser promovido".

EM VEZ DE
- Significa "em lugar de". Deve ser usado para qualquer tipo de troca, de substituição: "Foi à praia em vez de ir à escola"; "Apertou o botão azul em vez do vermelho"; "Edilson preferiu correr com a bola en vez de chatar"; "Imagine só tentar falar ao telefone e, em vez de uma pessoa do outro lado da linha, ouvir o sermão de uma rádio evangélica".

ENQUANTO -
Indica "tempo simultâneo". Exige correlação de tempo verbal: "Eu trabalho enquanto você dorme" (no presente); "A inflação cresceu enquando a renda dos assalariados caiu" (no pretérito).
Evite: 1. Falta de correlação dos tempos verbais: "Enquanto o diretor insiste (= presente) no projeto, os acionistas contestaram (= pretérito) as ideias básicas";
Evite 2. A forma "enquanto que": "Fumava enquanto que todos buscavam a solução para o problema";
Evite 3. O modismo de usar enquanto com o sentido de "na função de" ou "sob o aspecto de": "Ele, enquanto diretor, tem total responsabilidade sobre os fatos,"

ENTRETANTO
- É sinônimo de "no entanto". Não existe "no entretanto".

EPIDEMIA/ENDEMIA/EPIZOOTIA
- Epidemia - doença infecciosa de caráter transitório que atinge um grande número de pessoas numa área extensa. Endemia - doença infecciosa que ocorre habitualmente e com incidência significativa em determinada população ou região. Epidemia e endemia só devem ser usadas para seres humanos. Para animais, usamos epizootia.

É QUE
- Como locução de realce, é invariável: "Eu é que resolvi o caso"; "Nós é que fizemos o trabalho"; "Os diretores é que assinaram o contrato".
Observação:
- Se o sujeito for colocado entre o verbo ser e o que, a concordância é normal: "Fui eu que resolvi o caso"; "Somos nós que fazemos tudo"; "São os diretores que assinam todos os contratos".

ESCASSEZ
- Ocorre quando "há pouco": "As prateleiras dos supermercados quase vazias comprovam a escassez do produto." Quando "não há", ocorre falta: "A falta do produto é comprovada pelas prateleiras totalmente vazias."

ESTADA
- Significa "permanência": "Isso ocorreu durante sua estada em São Paulo."
- Originariamente era a "permanência de navios nos portos para carga e descarga". Hoje em dia, os nossos dicionários já aceitam estadia como sinônimo de estada. Não é errado: "O nosso hotel deseja a todos os visitantes uma ótima estadia. "A preferência é o uso de estada.

ESTRELA -
Só para mulheres. Não use para homens: "Oscar é a maior estrela do basquete brasileiro." Para homens, é preferível usar astro.

Etc.
- Vem do latim "et cetera" e significa "e outras coisas".
Observação:
- O uso da vírgula antes do etc. é facultativo;
- Não devemos usar conectivo "e" antes ("e etc.");
-Devemos evitar o uso de etc. (= e outras coisas) para pessoa: "Compareceram o presidente, os diretores, os gerentes, etc.";
- Quando o etc. termina a frase, não devemos duplicar o ponto (etc..);
- Não se usa etc. com reticências (etc...). Ou usamos etc. ou reticências.

sábado, 3 de abril de 2010

Dicas de Português - Aspectos Semânticos - 3


A PRINCÍPIO
- Significa "inicialmente, no começo, no princípio, num primeiro momento": "A princípio, o governo não pensa em aumentar as alíquotas do imposto de renda"; "A princípio, ele deve manter o time que venceu a Rússia".

EM PRICÍPIO - Significa "em tese, teoricamente, por princípios": "Em princípio (= por princípios religiosos), ele é contra o aborto."

ASSISTÊNCIA
- Modismo originário do basquete. No futebol. é preferível "dar um passe", em vez do batido "fazer a assistência".


BASTANTE
- É "o que basta". Significa "suficiente": "Ele já tem provas bastantes (= suficientes) para incriminá-la." Devemos evitar o uso da palavra bastante como advérbio de intensidade (= muito, suficientemente": "A moradora ficou muito (e não bastante) preocupada."

BEM - O uso do hífen nem sempre é tarefa simples. Convém consultar um dicionário. O hífen pode mudar o sentido. "Menino bem-educado" é diferente de "menino bem educado". No primeiro caso, ressalta-se a qualidade do menino; no segundo, o processo de educação que recebe: "Ele é um menino bem-educado"; "O menino foi bem educado pelos pais".

BEM-VINDO/BENVINDO
- A saudação é bem-vindo(a) (= bem recebido): "Seja bem-vindo." a esta cidade." Benvindo é nome próprio de pessoa: "Ele se chama Benvindo."

BIMENSAL/BIMESTRAL
- Bimensal é "duas vezes por mês"; bimestral é "de dois em dois meses".

BIÓTIPO/BIOTIPO
- Tanto faz. As duas formas estão registradas e são aceitáveis. A forma biotipo é a mais usada.

BRITZ
- A palavra é alemã. Trata-se de flagrante organizado por uma corporação policial. O singular é "blitz": "A polícia fez uma blitz". Se considerarmos uma palavra já aportuguesada, o plural é blitzes: "A polícia fez várias blitzes".

CÂMARA
- Local, aposento, casa, recinto: Câmara dos Deputados, câmara nupcial, música de câmara. Pode ser também o aparelho fotográfico, de cinema, de vídeo.

CÂMERA
- É a melhor forma para designar o aparelho: câmera fotográfica, câmera de vídeo...

CAMPUS
- Sem acento, é latim. Plural: campi. Se preferir, pode usar com acento gráfico: câmpus (forma aportuguesada). Nesse caso, o plural é os câmpus.

CASSAR
- Significa "anular": "Querem cassar a mandato do prefeito"; "Cassaram sua licença". Não podemos confundir com caçar: "Caçava animais silvestres."

CAUDA -
Rabo, apêndice: cauda do cometa, cauda do macaco, piano de cauda.

CALDA
- Solução açucarada: calda de caramelo.

CD-ROM
- Plural: CD-ROMs. Pronúncia: "cd-rôm".

CERRAR
- É "fechar": "permaneceu com as portas cerradas (= fechadas)".

SERRAR
- É "cortar": "Foi obrigado a serrar as pernas da cadeira."

CONTABILIZAR
- Só em textos de "contabilidade" Evite frases como: "A equipe de resgate já contabilizou 15 mortos".

CONTRACEPTIVO
- Anglicismo desnecessário. Use anticoncepcional.

CORES
-
Quando a cor é um adjetivo, flexiona-se: "Olhos azuis, blusa vermelha, camisas brancas"; quando a cor é um substantivo, não varia: "Blusão laranja, camisas rosa, sapatos areia, blusas creme, calças cinza, tons pastel". Nos adjetivos compostos (adjetivo + adjetivo), somente o segundo elemento varia: "olhos azul-claros, bandeiras verde-amarelas, camisas rubro-negras, garrafas verde-escuras"; quando um dos elementos do adjetivo composto for substantivo (adjetivo + substantivo ou substantivo + adjetivo), o composto é invariável: "calças verde-garrafa, blusas rosa-claro, blusões rosa-choque, uniformes verde-oliva, camisas azul-céu".

Observação:

- Marinho, azul-marinho e azul-celeste são invariáveis: calças marinho, uniformes azul-marinho, blusas azul-celeste;

- Ultravioleta não varia, mas infravermelho admite feminino plural: "raios ultravioleta, radiações infravemelhas".

COSTA/COSTAS
- Costa equievale à litoral: "Navegava pela costa brasileira"; costas é a parte do corpo: "Está com dor nas costas."

DAR À LUZ
- O correto é "Ela deu à luz um filho", e não "dar a luz" ou "dar à luz a um filho".















sexta-feira, 2 de abril de 2010

Dicas de Português - Aspectos Semânticos - 2

ALTO - O preço é alto/baixo, mas o produto é caro/barato: "o preço dos automóveis está muito alto/baixo"; "Este automóvel está muito caro/barato".

A NÍVEL DE
- Modismo ultrapassado. Uso proibido: "A nível de informação, o jornal é um dos melhores do Brasil." Existe a expressão em nível de, que só pode ser usada quando houver "níveis": "isso só pode ser resolvido em nível federal." Existe também ao nível de: "Estava ao nível do mar."

ANIVERSÁRIO
- Refere-se a "ano". Devenos evitar: "Eles fizeram aniversário de três meses de namoro" ou "Cadernetas de poupança com aniversário do dia cinco".

ANO-NOVO/ANO NOVO
- Ano-Novo ou ano-novo refere-se à virada do ano, à festa de entrada. Ano novo é o novo ano, refere-se à totalidade do ano novo: "Feliz Ano-Novo é próspero ano novo".

AO CONTRÁRIO DE
- Significa "a favor": "Ficamos felizes, porque as suas ideias vêm ao encontro das nossas necessidades"; "Qualidade é ir ao encontro das expectativas do cliente".

DE ENCONTRO A
- Significa "contra": "O carro foi violentamente de encontro ao poste"; "A decisão do governo vai de encontro aos (= contra) anseios dos aposentados".

AO INVÉS DE
- Significa "ao contrário de". Só pode ser usado se houver troca "por coisa oposta": "Ele entrou à direita ao invés de entrar à esquerda"; "Subiu ao invés de descer". Em cado de dúvida (= se a coisa é oposta ou não), use em vez de.

EM VEZ DE
- Significa "em lugar de". Deve ser usado para qualquer tipo de troca, de substituição: "Foi à praia em vez de ir à escola"; "Apertou o botão azul em vez do vermelho.

AONDE/ONDE
- Não são sinônimos. Emprega-se aonde apenas com verbos de movimento, que regem a preposição "a" ("ir", "chegar", "dirigir-se", "levar"): "Aonde querem chegar os brasileiros neste século?" Não se deve escrever "Ele visitará a cidade aonde nasceu o senador". O correto é: "onde nasceu o senador".

ONDE
-Usa-se onde unicamente quando se tratar de "lugar": "Muita gente visita a cidade onde o cantor nasceu"; O presidente irá à Correia, onde se encontrará com empresários e políticos locais". Não se deve usar onde com ideia de "tempo, causa, motivo, conclusão": "O país atavessa um período onde..."; "A modernização da cadeia industrial elimina muitos empregos, onde o desemprego tende aumentar". As formas corretas seriam "...um período em que..." e "...elimina muitos empregos, por isso (ou "razão pela qual", "consequentemente")..."

APARIÇÃO
- Use somente em situações específicas (= algo repentino e supreendente): "aparição de fantasmas, de discos voadores..." Em geeral, use aparecimento: "Ficamos esperando pelo aparecimento da testemunha."

A PARTIR DE
- Use quando houver referência a tempo (presente ou futuro): " A partir de hoje, os brasileiros já podem pagar suas contas por telefone"; "Este serviço só estará disponível a partir do próximo mês". Em referência a tempo passado, use a preposição desde: "Ele vive em Goiás desde 1970." Não devemos usar a expressão a partir de se não houver referência a tempo ou lugar. É inadequado dizer: "A partir do que ficou acertado na reunião..." O melhor é: "Segundo o que ficou acertado..." ou "De acordo com o que ficou acertado..." ou "Considerando o que ficou acertado na reunião...".

Dicas de Português - Aspectos Semânticos - 1

ABREVIATURAS - As abreviaturas do sistema métrico decimal não têm ponto nem plural: 2h, 10m, 3km, 40km, 2h30mim (aceita-se 2h30), 2h30min14seg...
Importante: Isso é uma padronização. É comum, em editoras, o uso da forma 2:30h.

Observações:

- Fazem plural com "s" as abreviaturas que se identificam com siglas: TVs, CDs, GPs, PMs...
- Alguns plurais se fazem com a duplicação da letra: AA. (autores), EE. (editores)...Também fazem o plural com "s" as abreviaturas formadas pela redução de palavras e aquelas que representam formas de tratamento: sécs. (séculos); págs. (páginas), V. Sas. (vossas Senhorias), V. Exas. (Vossas Excelências)...

ABSTÊMIO - É só para "bebidas alcoólicas": "Tornou-se um abstêmio convicto depois de 20 anos de alcoolismo."

ABSTINENTE - É quem se afasta "do fumo, da carne, das drogas, do sexo...": Por causa da proibição do fumo a bordo dos aviões, para viajar todo fumante deve tornar-se um abstinente".

ACERCA DE - Significa "a respeito de": Falávamos acerca do jogo de ontem".

A CERCA DE - Cuidado. Devemos usar quando houver ideia de "tempo futuro" ou "distância": " Só nos veremos daqui a cerca de 60 dias"; Estamos a cerca de 20 quilômetros do lugarejo.

HÁ CERCA DE - Pode ser "existe perto de" ou "faz perto de" (= tempo decorrido): "Há cerca de quinhentos inscritos"; "Não nos vemos há cerca de dez anos".

ACESSAR - Deve ser usado em textos de informática. No mais, use "ter acesso". Evite frases como: " O motorista acessou (= entrou, teve acesso) a avenida Paulista."

ACIDENTE - É ocasional e, em geral, de grandes proporções. INCIDENTE é provocado e de pequenas proporções: a quedade avião ou um choque de dois carros é acidente. Uma discussão ou briga é incidente. Exemplo inaceitável: "Duas carretas viraram na via Dutra. O incidente provocou um engarrafamento de cinco horas."

ACUSAR - Sempre se acusa alguém: "A mulher acusa o marido de maus-tratos." Deve-se evitar "acusa que": "A mulher acusou que o marido lhe tratava mal."

ADENTRAR - Termo ultrapassado. É bom evitar. É melhor "entrar, ingressar..."

ADENTRO - Devemos escrever "tudo junto": "Entrou porta adentro"; "...noite adentro".

ADMITIR - Significa "reconhecer". Apresenta carga negativa. É incoerente admitir uma "coisa positiva"": "Ele admitiu que está fazendo o maior sucesso" (= só seria possível se ele tivesse negado anteriormente). Em ves de "ele admitiu que errou", é melhor "ele reconheceu o seu erro"; em vez de "ele admitiu que matou nove crianças", é melhor "ele confessou que matou nove crianças. Por tudo isso, é bom tomar cuidado com o uso do verbo admitir.

AFICIONADO - É assim que se escreve (com um "c" apenas). Deve-se evitar a forma "aficcionado), que não aparece em nossos dicionários nem no Vocabulário Ortográfico da Acadademia Brasileira de Letras.

AFORA - Numa palavra só, significa "à exceção de, além de, para o lado de fora": "Jogou pela janela afora"; "Os diretores compareceram à neunião, afora o de finanças" (=exceto).

A FORA, escrito separadamente, só exsite em oposição a "dentro". "... de dentro a fora".

AGITAR - Evite o modismo: "Rodada desde fim de semana agita o campeonato brasileiro"; "Greve agita capital paulista"...

ALAVANCAR - Virou modismo. É usado excessivamente por políticos, economistas e empresários. Evite.

ALTERNATIVA - É "outra opção". Evite "outra alternativa", porque é redundante. Use uma alternativa ou outra opção. Evite também "única alternativa". É preferível: única possibilidade, única saída...

quarta-feira, 31 de março de 2010

Você sabia que há palavras que são “coringas”?

Dicas de Português

Você sabia que há palavras que são “coringas”?

São palavras que substituem muitas outras. Isso caracteriza pobreza vocabular e torna a frase muita imprecisa.
E isso é perigoso porque podemos dar várias interpretações.
Sem dúvida alguma, a pior de todas é a palavra COISA.
Frequentemente ouvimos alguém dizendo: “Agora a coisa ficou preta”. O mais intrigante é o uso da palavra COISA. Que coisa maravilhosa! COISA é uma palavra sensacional: substitui qualquer coisa e não diz coisa alguma. É a palavra de sentido mais amplo que conheço. Faltou sinônimo, lá vai a coisa.

Coisa é uma palavra tão versátil que já virou até verbo: “Eles estão coisando”. Lá sabe Deus o que eles estão fazendo! Coisa é um substantivo, mas é capaz de ser usado no grau superlativo absoluto sintético, como se fosse adjetivo: “Não fiz coisíssima nenhuma”.
Por tudo isso, é inadequado o uso da palavra coisa em textos mais cuidados e formais.

Essa análise me faz lembrar a história de um fiscal da carteira hipotecária de um grande banco no interior do Paraná. Certo fazendeiro fez um empréstimo no banco, hipotecou a fazenda e, um mês depois, morreu. O banco, preocupado, mandou o tal fiscal à fazenda. Lá chegando, ficou feliz ao ver que tudo corria bem. A viúva trabalhava duro, o dinheiro investido já trazia lucros para a fazenda e o pagamento da hipoteca estava garantido. Ao retornar à sua cidade, o fiscal não teve dúvida e escreveu no relatório que enviou ao seu chefe: “O fazendeiro morreu, mas o banco pode ficar tranquilo porque a viúva mantém a coisa em pleno funcionamento”. Lá sabe Deus que coisa é essa!?
O uso excessivo do verbo colocar é outro caso que merece cuidados. Certa vez, numa mesa-redonda, um amigo me pediu: “Professor, posso fazer uma colocação?” Respondi rapidamente: “Em mim, não!”
Observe alguns exemplos que comprovam o empobrecimento do nosso vocabulário devido ao uso exagerado do verbo colocar:

1. O soldado não quis colocar a farda.
2. É preciso colocar mais sal no feijão.
3. O médico foi obrigado a colocar uma sonda.
4. Ele decidiu colocar o anúncio no jornal.
5. Eles não querem colocar os quadros nesta parede.
6. Para não cair, precisou colocar as mãos nos ombros do colega.
7. Os ladrões pretendiam colocar o dinheiro roubado numa lixeira.
8. Os noivos vão colocar o convite no quadro de avisos.
9. É necessário colocar em prática todas as suas idéias.
10. É bom não colocar essa palavra no texto.
11. Resolveu colocar todo o dinheiro no banco.
12. É preciso colocar os relatórios nas pastas de cada fornecedor.
13. Esta obra vai colocar o poeta na Academia Brasileira Letras.
14. O fanático pretendia colocar fogo nas vestes.
15. O diretor pediu a palavra para colocar suas idéias.

Vejamos o que poderíamos ter feito para evitar essa chatice de tanto colocar:

1. O soldado não quis vestir a farda.
2. É preciso acrescentar mais sal no feijão.
3. O médico foi obrigado a introduzir uma sonda.
4. Ele decidiu publicar o anúncio no jornal.
5. Eles não querem pendurar os quadros nesta parede.
6. Para não cair, precisou apoiar (ou pousar) as mãos nos ombros do colega.
7. Os ladrões pretendiam esconder o dinheiro roubado numa lixeira.
8. Os noivos vão fixar o convite no quadro de avisos.
9. É necessário pôr em prática todas as suas idéias.
10. É bom não escrever (ou empregar ou usar) essa palavra no texto.
11. Resolveu depositar todo o dinheiro no banco.
12. É preciso guardar os relatórios nas pastas de cada fornecedor.
13. Esta obra vai levar (ou conduzir) o poeta à Academia Brasileira Letras.
14. O fanático pretendia atear fogo nas vestes.
15. O diretor pediu a palavra para apresentar (ou expor ou defender) suas déias.

Depois de fazer todas essas “colocações”, vou tentar “colocar” a minha cabeça em ordem e “colocar” as barbas de molho. Por ter “colocado” todas as minhas idéias para fora, agora eu posso “colocar” a cabeça no travesseiro e descansar. Estou esperando que você também “coloque” para fora a sua opinião e que “coloque” em prática o que aprendeu aqui: “coloque” outro verbo no lugar do COLOCAR.
Postado por Sérgio Nogueira em 24 de janeiro de 2007